sexta-feira, 5 de março de 2010

PROCURA-SE

Procura-se insistentemente pelas ruas de nossa cidade, procura-se melancólica e esperançosamente, do “I” ao setor Raio do Sol, e de todos os modos e com outros tantos advérbios de modo. Procura-se junto a boêmios e bebedores de fins de semana, a empresários e taxistas, um recinto decente no qual possamos nos deleitar a degustações etílicas, um boteco que faça jus a esse nome, em cujo ambiente nos entreguemos à solidificação de nossas amizades, à sociabilização nossa de cada dia, cuja existência é sempre facilitada bebericando umas e outras.
Tem este autor frequentado, em toda sua existência, botecos refinados, bares rústicos, bem como “bares ruins que são lindos, bicho”, por me considerar, como diria Antonio Prata, meio intelectual, meio de esquerda. Nessa longa, ou nem tão longa, existência pude apreciar variados tipos de bebidas. De cerveja às deliciosas cachaças de Salinas, da Tiquira maranhense à Mutamba goiana. Pude constatar que a graça não está na quantidade ou variedade da bebida ingerida. Essa graça está na companhia, nos laços fraternos cada vez mais fortificados quando dos encontros nos “n” butequins da vida.
Sou daqueles que veem no álcool um agregador social, um destruidor de barreiras sociais. Quem nunca bateu um papo com um desconhecido depois de algumas doses de uísque ou copos de cerveja, sem se importar com sua classe social ou origem? É lógico que temos problemas na sociedade ocasionados pelo álcool e coisa e tal, mas isso é coisa causada por bebedor amador e assunto para outro texto.
Muitas coisas aprendi em conversas “butequinianas”, ouvindo jovens senhores, cuja sabedoria reluziam em seus fios de prata, cujas palavras se fizeram norte em certos assuntos de minha existência mundana. Amizades verdadeiras fiz e as solidifiquei em inúmeros ambientes boêmios. Por isso, procura-se desesperadamente um boteco-lar, onde nos sintamos em casa e em cujo local não olhemos donos e garçons com caras emburradas, fazendo daqueles ofícios heróicos obrigações detestáveis e marcando profundamente nosso percurso terrestre.
Procura-se INSOLUVELMENTE, procura-se e talvez não se queira achar...

*Alex "Condera" Macedo vai escrever um dia sim e outros tantos não, dependendo de sua ressaca e se suas horas vagas deixar.

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